Guia de LEDs: tipos, cores, tensões e como calcular o resistor
Eletrônica

Guia de LEDs: tipos, cores, tensões e como calcular o resistor

Carlos
12/08/2026
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Todo técnico já queimou um LED por pressa. Liga direto na fonte de bancada só para "ver se acende", vem o flash bonito e depois o silêncio permanente. O LED é um dos componentes mais simples que existem e, ao mesmo tempo, um dos que mais geram dúvida na hora de calcular: por que o azul precisa de mais tensão que o vermelho? Dá para trocar um amarelo por um branco no mesmo circuito? Qual resistor usar em 12 V? Por que a fita LED reparada às pressas queima de novo em uma semana?

Este guia responde essas perguntas com tabelas de consulta direta — tensão e corrente por cor, encapsulamentos comparados, valores de resistor prontos para 3,3 V, 5 V, 9 V, 12 V e 24 V — e explica o pouco de física que você precisa saber para não depender de tabela nenhuma. No final há um roteiro de diagnóstico de bancada e o guia completo em PDF para download.

1. Por que a cor determina a tensão

O LED (Light Emitting Diode) é, antes de tudo, um diodo: conduz em um sentido e bloqueia no outro. A diferença em relação ao diodo retificador comum está no material do cristal semicondutor. Enquanto o silício devolve a energia da recombinação elétron-lacuna quase toda em forma de calor, os compostos usados nos LEDs — arseneto de gálio, fosfeto de alumínio-índio-gálio, nitreto de índio-gálio — devolvem essa energia como fóton, isto é, como luz.

A consequência prática mais importante é que a cor e a tensão direta nascem juntas, do mesmo fenômeno físico. A energia do fóton é inversamente proporcional ao comprimento de onda: quanto mais azul a luz, mais energia por fóton e, portanto, maior a barreira de potencial que o elétron precisa vencer. Por isso um LED vermelho acende com 1,8 V enquanto um azul precisa de 3,2 V — não é escolha do fabricante, é física do material.

Esse mesmo raciocínio explica uma curiosidade que confunde muita gente: o LED branco tem exatamente a mesma tensão do azul. Ele é um LED azul, com uma camada de fósforo amarelo depositada sobre o chip. O fósforo converte parte da luz azul em amarelo, e a mistura dos dois chega ao olho como branco. Quando um LED branco "amarela" com o tempo, o que envelheceu foi essa camada de fósforo, normalmente por excesso de corrente.

fig-espectro-led.png — alt: "Espectro visível com a posição de cada cor de LED, do UV-A ao infravermelho"

O LED não é um resistor

A segunda consequência é igualmente prática. A curva característica do LED é exponencial: abaixo da tensão de joelho praticamente não passa corrente, e alguns décimos de volt acima dela a corrente dispara. Um acréscimo de 0,1 V pode dobrar a corrente.

Isso significa que ligar um LED direto na fonte, sem limitação, entrega a ele toda a corrente que a fonte for capaz de fornecer. Todo circuito com LED precisa, obrigatoriamente, de um elemento limitador: um resistor, nos casos simples, ou um driver de corrente constante, nos LEDs de potência. Em LED se controla corrente, nunca tensão.

2. Como identificar a polaridade — três métodos

O encapsulamento DIP de 5 mm continua sendo a referência de bancada. Dentro da cápsula de epóxi há um refletor cônico (a cup) onde o chip fica assentado, um fio de ouro finíssimo (bond wire) ligando o topo do chip ao terminal oposto, e a lente de epóxi, que define o ângulo de emissão — de 15° nos LEDs de foco estreito a 120° nos difusos.

Vale conhecer as três formas de identificar a polaridade, porque em componente usado ou com as pernas já cortadas nem sempre a primeira funciona:

  • Perna mais longa = ânodo (+). O método rápido, e o primeiro a se perder quando alguém corta os terminais.

  • Lado chanfrado da cápsula = cátodo (−). A marcação que sobrevive ao corte das pernas.

  • Olhar contra a luz. O método infalível: a peça metálica maior, o refletor onde o chip está apoiado, é o cátodo.

No teste com multímetro na escala de diodo, a ponta vermelha no ânodo faz o LED acender fracamente e mostra a tensão direta no visor — um LED bom exibe algo entre 1,6 V e 3,2 V, conforme a cor.

3. LEDs indicadores por cor — tensão e corrente

A tabela reúne os LEDs de indicação mais comuns nos encapsulamentos DIP de 3 mm e 5 mm, que são os que se encontram em qualquer gaveta de bancada. Os valores de tensão direta são faixas típicas a 20 mA e temperatura ambiente. Peças do mesmo lote variam entre si, e peças de fabricantes diferentes variam ainda mais: sempre que o projeto for série ou envolver muitas unidades, meça uma amostra em vez de confiar na tabela.

Cor

Comprim. de onda

Material

VF típica

VF máx.

IF típica

IF máx.

Infravermelho

850–940 nm

GaAs

1,2–1,6 V

1,8 V

20 mA

50–100 mA

Vermelho

620–660 nm

AlGaAs / GaAsP

1,8–2,2 V

2,4 V

20 mA

30 mA

Laranja

605–620 nm

AlGaInP

2,0–2,2 V

2,5 V

20 mA

30 mA

Âmbar

590–605 nm

AlGaInP

2,0–2,3 V

2,5 V

20 mA

30 mA

Amarelo

585–590 nm

GaAsP

2,1–2,4 V

2,6 V

20 mA

30 mA

Verde tradicional

560–570 nm

GaP

2,0–2,4 V

2,6 V

20 mA

30 mA

Verde puro

520–535 nm

InGaN

3,0–3,4 V

3,8 V

20 mA

30 mA

Azul

460–475 nm

InGaN

3,0–3,4 V

3,8 V

20 mA

30 mA

Branco frio

6000–8000 K

InGaN + fósforo

3,0–3,4 V

3,8 V

20 mA

30 mA

Branco quente

2700–3500 K

InGaN + fósforo

3,0–3,3 V

3,8 V

20 mA

30 mA

Violeta

400–410 nm

InGaN

3,1–3,5 V

4,0 V

20 mA

30 mA

UV-A (luz negra)

365–395 nm

InGaN

3,2–3,8 V

4,2 V

20 mA

30 mA

UV-C (germicida)

265–285 nm

AlGaN

5,0–7,0 V

8,0 V

20–100 mA

conf. fabricante

RGB

3 chips

misto

R 2,0 / G 3,2 / B 3,2

3,8 V

20 mA/cor

30 mA/cor

fig-tensao-por-cor.png — alt: "Gráfico de tensão direta por cor mostrando os grupos de 2 V e 3,2 V"

A regra dos três números

Olhando o gráfico, fica evidente que os LEDs não se espalham pela escala de tensão: eles se agrupam. E é isso que permite trabalhar de cabeça na bancada.

  • Grupo de 2 V — vermelho, laranja, âmbar, amarelo e verde tradicional (AlGaInP, GaAsP, GaP).

  • Grupo de 3,2 V — verde puro, azul, branco, violeta e UV-A (todos InGaN).

  • Infravermelho — isolado em 1,4 V.

Guardar esses três números resolve 95% dos cálculos sem consultar tabela alguma. Na prática, a regra também responde à dúvida de troca: você troca um vermelho por um amarelo sem recalcular nada, mas trocar por um azul ou branco exige refazer o resistor — a diferença de 1,2 V vem toda descontada da queda no resistor.

4. Encapsulamentos: DIP, SMD e COB

O encapsulamento não altera a física do chip, mas define quase tudo o mais: quanta corrente a peça suporta, quanto calor consegue dissipar, qual o ângulo do feixe e como ela é montada. Um mesmo chip azul de 3,2 V pode viver dentro de um DIP de 5 mm consumindo 20 mA ou dentro de um encapsulamento cerâmico com dissipador consumindo 1 A — o que muda é a capacidade de tirar calor de perto da junção.

Uma dica que economiza tempo: o código numérico dos SMD é sempre largura × comprimento em décimos de milímetro. 3528 = 3,5 × 2,8 mm; 5050 = 5,0 × 5,0 mm. Sabendo disso você identifica a peça com um paquímetro, sem precisar do datasheet.

Código

Dimensões

Chips

Potência

VF

IF

Aplicação típica

0603 / 0805 / 1206

1,6×0,8 a 3,2×1,6

1

0,06 W

conf. cor

5–20 mA

Indicação em placa

3014

3,0×1,4 mm

1

0,1 W

3,0–3,2 V

30 mA

Fita LED, backlight

3528 (PLCC-2)

3,5×2,8 mm

1

0,08 W

3,0–3,4 V

20 mA

Fita 12 V, 60 LED/m

2835

2,8×3,5 mm

1

0,2–1 W

3,0–3,4 V (ou 9 V / 18 V)

60–300 mA

Lâmpadas, painéis

5050 (PLCC-6)

5,0×5,0 mm

3

0,24 W

3,0–3,4 V/chip

20 mA/chip

Fita RGB

5730

5,7×3,0 mm

1

0,5–1 W

3,0–3,4 V

150–300 mA

Lâmpadas de alto fluxo

WS2812B

5,0×5,0 mm

3 + CI

0,3 W

5,0 V (alim.)

~60 mA (branco)

Fita endereçável

Cabochão / difuso

3–10 mm

1

0,06 W

conf. cor

20 mA

Painel frontal

LEDs de potência

A partir de aproximadamente 0,5 W o resistor deixa de ser solução aceitável: ele dissiparia mais energia que o próprio LED e, pior, não protegeria a peça contra fuga térmica. Nesses casos usa-se driver de corrente constante, e o dissipador passa a ser item de projeto, não acessório. A regra prática é curta: LED de potência sem dissipador tem vida útil medida em segundos.

Tipo

Potência

VF

IF

Fluxo típico

Observação

Power LED 1 W

1 W

3,0–3,4 V (branco) / 2,2–2,6 V (verm.)

300–350 mA

90–130 lm

Dissipador de 10 cm² no mínimo

Power LED 3 W

3 W

3,2–3,6 V

700 mA

200–260 lm

Dissipador obrigatório

Power LED 5 W

5 W

3,2–3,8 V

1,0–1,5 A

350–450 lm

Driver de corrente constante

Cree XP-G / XM-L

3–10 W

2,9–3,5 V

0,7–3 A

280–1000 lm

Lanternas, alta eficiência

COB 10–50 W

10–50 W

9–12 V ou 30–34 V

0,3–1,5 A

800–4500 lm

Matriz série/paralelo interna

Módulo 220 V (driverless)

5–50 W

rede retificada

interno

variável

Comum em lâmpadas e refletores; circuito sem isolação

Atenção com módulos driverless. Placas de lâmpadas e refletores modernos ligam os LEDs em série direto na rede retificada. O circuito inteiro fica no potencial da rede, sem isolação galvânica. Nunca meça, toque ou manipule uma dessas placas energizada — inclusive o dissipador de alumínio pode estar vivo.

5. Cálculo do resistor limitador

O resistor em série resolve o problema da corrente de um jeito elegante: a diferença entre a tensão da fonte e a tensão direta do LED cai sobre ele, e essa diferença dividida pela corrente desejada dá o valor de resistência.

R = ( VFONTE − VF ) ÷ IF  |  PR = ( VFONTE − VF ) × IF
Corrente sempre em ampères: 20 mA = 0,020 A.

Como a queda no resistor é linear e a do LED é praticamente fixa, o conjunto se estabiliza sozinho. E há um detalhe que quase ninguém comenta: quanto maior a sobra de tensão sobre o resistor, mais estável fica o circuito. É por isso que alimentar um LED de 3,2 V em 12 V dá resultado muito mais previsível do que alimentá-lo em 3,3 V — no segundo caso, sobram 0,1 V, e qualquer variação de lote ou temperatura muda o brilho de forma visível.

fig-circuito-resistor.png — alt: "Circuito com fonte, resistor limitador e LED, com as tensões anotadas"

Valores prontos para as fontes mais comuns

Fonte

LED

I desejada

Cálculo

R comercial

P dissipada

Resistor

3,3 V

Vermelho (2,0 V)

10 mA

1,3 ÷ 0,010 = 130 Ω

130 Ω

13 mW

1/8 W

3,3 V

Branco/Azul (3,2 V)

sobra 0,1 V

inviável

usar boost

5 V

Infravermelho (1,4 V)

20 mA

3,6 ÷ 0,020 = 180 Ω

180 Ω

72 mW

1/8 W

5 V

Vermelho (2,0 V)

20 mA

3,0 ÷ 0,020 = 150 Ω

150 Ω

60 mW

1/8 W

5 V

Amarelo/Verde (2,2 V)

20 mA

2,8 ÷ 0,020 = 140 Ω

150 Ω

56 mW

1/8 W

5 V

Branco/Azul (3,2 V)

20 mA

1,8 ÷ 0,020 = 90 Ω

100 Ω

36 mW

1/8 W

9 V

Vermelho (2,0 V)

20 mA

7,0 ÷ 0,020 = 350 Ω

390 Ω

140 mW

1/4 W

9 V

Branco/Azul (3,2 V)

20 mA

5,8 ÷ 0,020 = 290 Ω

330 Ω

116 mW

1/4 W

12 V

Vermelho (2,0 V)

20 mA

10,0 ÷ 0,020 = 500 Ω

560 Ω

200 mW

1/4 W

12 V

Amarelo/Verde (2,2 V)

20 mA

9,8 ÷ 0,020 = 490 Ω

560 Ω

196 mW

1/4 W

12 V

Branco/Azul (3,2 V)

20 mA

8,8 ÷ 0,020 = 440 Ω

470 Ω

176 mW

1/4 W

12 V

3 × Branco em série (9,6 V)

20 mA

2,4 ÷ 0,020 = 120 Ω

120 Ω

48 mW

1/8 W

24 V

Vermelho (2,0 V)

20 mA

22,0 ÷ 0,020 = 1100 Ω

1,2 kΩ

440 mW

1 W

24 V

6 × Branco em série (19,2 V)

20 mA

4,8 ÷ 0,020 = 240 Ω

270 Ω

96 mW

1/4 W

Sempre arredonde o resistor para cima. Resistor maior que o calculado significa corrente ligeiramente menor — o LED acende um pouco menos e dura muito mais. Resistor menor significa corrente acima do especificado, aquecimento da junção e degradação acelerada do fósforo, que é o que faz LEDs brancos amarelarem. Na dúvida, para indicação em painel, 10 mA já é mais que suficiente e praticamente dobra a vida útil.

6. Série e paralelo — o erro clássico

Ligar LEDs em série é quase sempre a melhor escolha: a mesma corrente atravessa todos, o brilho fica uniforme e um único resistor serve para o conjunto. O limite é a tensão disponível — a soma das tensões diretas precisa deixar pelo menos 15% a 20% da tensão da fonte sobrando para o resistor, ou o circuito fica sensível demais à variação de temperatura e de lote.

Ligar LEDs em paralelo compartilhando um único resistor é o erro clássico, e vale entender por que ele é tão traiçoeiro. Como a tensão direta varia entre unidades, aquele com a menor VF conduz mais, aquece, tem sua VF reduzida ainda mais pelo coeficiente térmico negativo, conduz mais ainda — e queima. Depois disso os outros recebem toda a corrente e seguem o mesmo caminho, um a um. O circuito funciona na bancada e morre na semana seguinte.

A solução é simples: um resistor para cada ramo. Essa é, de longe, a causa mais frequente de LEDs queimados em fitas e painéis reparados às pressas.

7. Notas práticas de bancada

Controle de brilho

Reduzir a tensão para escurecer um LED não funciona: abaixo do joelho ele simplesmente apaga, e a faixa útil entre "apagado" e "brilho total" é de poucos décimos de volt. O método correto é PWM — manter a corrente nominal e variar o tempo ligado. Frequências acima de 200 Hz já são imperceptíveis ao olho; para iluminação em ambientes com câmera, use acima de 2 kHz para evitar cintilação no vídeo.

Um detalhe que costuma pegar quem programa: o olho responde de forma logarítmica. Um duty cycle de 50% não parece metade do brilho, e sim algo perto de 70%. Se o resultado no firmware está "sem meio-termo", o que falta é uma curva de correção gama, não mais resolução de PWM.

Efeito da temperatura

A tensão direta cai aproximadamente 2 a 4 mV por grau Celsius de aumento na junção. Em um LED indicador com resistor isso é irrelevante. Em um LED de potência alimentado por fonte de tensão fixa, é fatal: o aquecimento reduz a VF, o que aumenta a corrente, que aumenta o aquecimento — a chamada fuga térmica. Daí a regra de que LED de potência exige driver de corrente constante, e não de tensão constante.

Diagnóstico rápido

Sintoma

Causa mais provável

Verificação

Não acende

Polaridade invertida ou resistor aberto

Escala de diodo: LED bom mostra 1,6–3,2 V e brilha fraco

Acende muito fraco

Resistor com valor alto demais ou fonte com queda

Medir a tensão sobre o resistor e dividir pelo valor

Queimou em segundos

Sem limitação de corrente

Conferir se existe resistor no ramo

Amarelou / perdeu brilho

Sobrecorrente crônica; fósforo degradado

Medir a corrente real e comparar com o nominal

Um da fita apagado, os outros acesos

SMD em curto ou solda fria

Ponte provisória no LED suspeito refaz o segmento

Fita inteira apagada a partir de um ponto

SMD aberto na série

Medir continuidade segmento a segmento

Cintilação

Capacitor de filtro do driver seco

Inspeção visual e ESR do eletrolítico

Checklist antes de energizar

  1. Existe resistor ou driver limitando a corrente em cada ramo?

  2. A polaridade confere — perna longa, chanfro e refletor apontam para o mesmo lado?

  3. A soma das VF em série deixa margem para o resistor?

  4. A potência do resistor tem pelo menos o dobro da calculada?

  5. Acima de 0,5 W, há dissipador com pasta térmica?

Baixe o guia completo em PDF

Todo o conteúdo deste artigo está disponível em um guia de 8 páginas em A4, formatado para impressão e consulta na bancada, com seis ilustrações vetoriais: curva característica I×V, anatomia do LED em corte, gráfico de tensão por cor, encapsulamentos comparados em escala real, circuito do resistor limitador e as três topologias de ligação lado a lado.

Guia Pratico de LEDs.pdf

A Bits e Bytes Eletrônica e Informática atua em Belém, no Pará, com assistência técnica autorizada multimarca e desenvolvimento de sistemas. Se você tem um equipamento com problema de iluminação, backlight ou placa de LED, fale com a gente.

Os valores apresentados são típicos de mercado. Para projetos de produção, confirme sempre no datasheet do fabricante do componente específico.

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